Há muito Escrito e não Publicado
Em tempos de adolescência, uma amiga dizia em tom de lamento “porque não trazemos uma placa com o nome da nossa cara-metade à nascença?”. De facto, muito do sofrimento pessoal seria poupado, mas perderíamos todo o mistério e encanto do conhecimento do outro, perdíamos os nós no estômago, os tremores musculares, as noite mal dormidas, perdia-se a paixão!!
Passada a adolescência, vêm as responsabilidades, o peso das relações, os estigmas dos inadaptados. Nada se torna mais fácil. A oferta é maior, mais ou menos exigente, mas os riscos também ganham contornos fora do normal. Aparecem os amigos coloridos, os que procuram/proporcionam unicamente momentos de êxtase, os turvos, os obsessivos…
A liberdade parece cada vez mais constrangida pelos outros. Temos de tomar opções a cada instante. Boas os más, egoístas ou abdicadas. E a gestão do nosso tempo, das nossas prioridades nem sempre acompanha o ritmo dos outros. Nunca conseguimos forçar-nos a entrar em sintonias que nos são alheias. A compreensão e respeito entre pares passam a ser o átomo original daquilo que se pode chamar uma relação.

2 Comments:
A questão é que existem várias "caras-metades" ao longo da nossa vida...
O verdadeiro anónino
devias postar mais reflexões destas. gostei do que li. Plenamente de acordo com o atomo original!
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